quinta-feira, 21 de julho de 2011

Os maiores mistérios do cinturão de asteroides



Entre as órbitas de Marte e do distante Júpiter existem centenas de milhares de corpos rochosos conhecidos como o cinturão de asteroides.


Muitos sistemas solares devem conter cinturões como esse, que em filmes de ficção científica normalmente são apresentados como rochas que não permitiriam a mínima locomoção para qualquer astronauta. Pode ser assim em outros sistemas, mas no nosso os corpos rochosos estão bem distantes uns dos outros.
A sonda Dawn vai investigar o segundo maior corpo do cinturão, o Vesta. Em 2015, ela deve continuar em órbita no maior objeto celeste, o Ceres – responsável por quase um terço da massa do cinturão de asteróides, sendo maior do que Plutão.
Dawn é a primeira sonda a orbitar um corpo celeste – quem dirá dois – no cinturão de asteróides. Com isso, alguns mistérios do cinturão estão sendo desvendados. Confira quais:


Origem dos asteróides separados


A teoria mais aceita sobre as rochas esparsas em nosso cinturão é que isso teria sido resultado da interferência gravitacional dos grandes planetas vizinhos. Com as futuras descobertas e aprendizado das localizações dos cinturões de asteroides em outros sistemas solares, será possível confirmar a teoria.


Secos e molhados


Vesta e Ceres são relativamente próximos, mas são muito diferentes. Essencialmente, Vesta é “seco”, enquanto Ceres é “molhado”. O primeiro corpo celeste é parecido com a lua e com a Terra, com núcleo de ferro. Ceres, por sua vez, está mais parecido com água e gelo.
Os cientistas acreditam que a razão por trás das composições contrastantes tem a ver com quando os corpos foram formados. Vesta teria sido formado apenas alguns milhões de anos antes de Ceres, o suficiente para se tornar quente e seco. Ceres, por sua vez, foi refrigerado por fora.


Muita Vesta, pouco Ceres


Se Vesta, como sugere a teoria, se formou antes de Ceres, isso pode explicar o mistério de por que há tão poucos asteroides do tipo de Vesta no cinturão. A maioria dos casos conhecidos parecem ter vindo do próprio Vesta, tendo sido arrancados por uma colisão muito tempo atrás.
A colisão teria resultado em uma explosão, lançou alguns fragmentos do asteroide para a Terra – cerca de 20 meteoritos (rochas espaciais que sobrevivem na passagem pela atmosfera terrestre por todo o caminho até o chão) foram encontrados.
Mas nenhum meteorito parece ter se originado de Ceres. Isso porque mesmo que pedaços de gelo se desprendessem de Ceres, eles se desintegrariam com o calor na entrada da atmosfera da Terra.
A sonda Dawn irá estudar a superfície de Ceres para avaliar essa hipótese. Outra teoria para os meteoritos de Vesta terem chegado por aqui e os de Ceres não é a gravidade de Júpiter, que ajudaria no bombardeamento de muito mais estilhaços de Vesta em nosso caminho.


Portadores da vida e da morte?


Durante o planejamento da missão Dawn, alguns cientistas expressaram preocupação sobre o envio da sonda para Ceres, pois ele seria um interessante objeto de astrobiologia. Como ele tem água e uma boa temperatura sob a superfície, é possível que a missão pudesse contamiar o asteroide.
Com essas condições, seria possível alguma manifestação de vida em Ceres, e esse é um dos estudos que a futura missão da NASA pretende realizar. Se existir vida em algum asteroide do cinturão, eles poderiam responder até pela origem da vida na Terra, já que a teoria da panspermia sugere que a vida não começou aqui, mas que foram desenvolvidas em outros lugares, sendo entregues a Terra a parir de um meteorito.
Asteroides tem tido um grande impacto sobre a vida na Terra. Um acabou com os dinossauros do nosso planeta e outro pode ter dado origem a água na Terra. Asteroides não são ruins nem bons, mas trazem mudanças significativas para o nosso planeta.





Fonte: hype Science

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Luz no céu intriga especialistas




Ontem, por volta das 18h, um risco no céu intrigou alguns bauruenses. O brilho, semelhante a um rastro deixado por meteorito, chegou a ser chamado por alguns de “aeronave alienígena”. Apesar de menos crédulos quanto à existência de vida extraterrestre, especialistas consultados pelo Jornal da Cidade não conseguiram definir com certeza o que seria o fenômeno. Avião, satélite e até o ônibus espacial Atlantis estão entre as hipóteses mais prováveis.

O risco misterioso apresentava uma curva descendente e ficou por algum tempo no céu. À medida em que perdia altura, outro fenômeno próximo ocorreu. Mais um risco com características semelhantes também surgiu.

Segundo o meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Bauru e presidente da Sociedade Brasileira de Meteorologia (SBMet), José Carlos Figueiredo, o brilho é estranho, porém, ele acredita ser um fenômeno ótico.

“Pelo horário em que ocorreu, pode ser uma aeronave. Quando ela se desloca, forma aquele rastro de ar condensado por onde passa. Pode ter havido uma refração da luz do Sol nesse ar condensado e formado essa trilha brilhante”, explica o meteorologista, apontando ainda que o segundo risco pode ser outra aeronave, com o mesmo efeito ótico.

Para o radioamador Domingos Dias Sorze, entretanto, o fenômeno se trata de um satélite de telecomunicações que emite forte brilho. Segundo ele, essa luz intensa também é proporcionada por meio de um processo ótico.

“A posição entre a Terra, o Sol e esse satélite pode causar esse efeito. Tal conjunto de satélites seria o Iridium e é perfeitamente capaz de provocar isso. Quando um desses satélites, que é coberto de metal, reflete a luz do Sol, tem esse brilho forte. Vi esse satélite umas quatro vezes por acaso e é uma das hipóteses prováveis”, explica.

Ainda de acordo com ele, todavia, existe outra explicação possível. Pode-se tratar do ônibus espacial Atlantis (leia mais na página 20), que deixou a estação na tarde de ontem para sua última viagem de regresso à Terra.

“O ônibus voltará depois de amanhã para a Flórida, nos Estados Unidos. Pode ser que esse brilho visto pelas pessoas ontem em Bauru seja realmente a Atlantis. Também é uma hipótese que não pode ser descartada”, completa Domingos Sorze.


Estação


No mês passado, Danilo Pecaro Monteiro, graduado em Física pela Unesp, conseguiu fotografar do Observatório de Astronomia da instituição a estação espacial internacional ISS (em inglês, International Space Station). Na ocasião, a trajetória da estação formou um risco semelhante ao registrado ontem.

Entretanto, Monteiro descarta a hipótese de que seja a mesma estação espacial. “A estação podia ser vista a olho nu somente até ontem (anteontem). Agora, a previsão é de que ela possa ser avistada somente em agosto”, aponta.

Ele ainda explica que, no mês passado, quando fotografou a ISS, deixou o obturador da câmera aberto por cerca de 20 segundos, o que resultou na imagem do risco brilhante. “As fotos que foram tiradas pelo jornal (ontem) são sequenciais, ou seja, uma atrás da outra. Se fosse a estação, seria captado somente um ponto, como se fosse uma estrela”.

Desse modo, Danilo Monteiro acredita também que a hipótese mais provável para o fenômeno é de que seja um rastro formado por aeronave.


____________________Marte “ataca”?


Entretanto, mesmo com as hipóteses aventadas pelos especialistas, a imaginação de muitos vai deixar o mistério no ar. Alguns, com certeza, vão enxergar no fato mais uma prova de que não estamos sozinhos no universo.

Nos últimos anos, a região de Bauru vem sendo constante cenário de possíveis aparições de naves alienígenas. Uma das mais famosas e que percorreu todo o Brasil por meio da Internet foi uma gravação feita em Agudos em fevereiro deste ano.

No vídeo, alguns rapazes flagraram um suposto Objeto Voador Não Identificado (Ovni) que soltava uma cápsula na Terra e, após um clarão, desaparecia.

Entretanto, não foi daquela vez que Marte nos atacou. Poucos dias depois do surgimento do vídeo, descobriu-se que tudo fazia parte de uma campanha publicitária feita por uma empresa de Lençóis Paulista para uma marca de embalagens.







Fonte: Jornal da Cidade de Bauru

quinta-feira, 14 de julho de 2011

6 descobertas importantes feitas pelo Google Earth




O Google Earth é uma ferramenta do Google que possibilita a viagem do homem a diversas partes do planeta sem que ele se mova da cadeira à frente do computador. Por um clique, uma pessoa do Brasil pode viajar à Patagônia, às cordilheiras do Canadá, às plantações de arroz da Ásia e passar pelos desertos da África e da Austrália.


Com base nessa possibilidade aberta pelo Google Earth, o site Cracked.com reuniu seis descobertas que ele considera excepcionais para a humanidade. E que só foram possíveis graças à ferramenta. Confira a lista abaixo:


Ambientes desconhecidos do globo

Cientistas britânicos usaram o Google Earth para descobrir uma floresta em Moçambique cuja existência era desconhecida. Neste local, podem ser encontradas espécies que evoluíram por anos sob completo isolamento de outras criaturas conhecidas.


Fósseis de mamíferos antigos

Escavadores acharam em uma caverna da Itália uma larga pedra com fósseis de uma baleia que datavam de 40 milhões de anos atrás. Quando a notícia chegou ao conhecimento do especialista em baleias da Universidade de Michigan, nos EUA, Philip Gingerich, ele quis saber como e onde o fóssil realmente se originou. Fisicamente seria impossível, afirmaram os escavadores. Mas, com o uso do Google Earth, o especialista conseguiu rastrear uma área maior e, através de métodos de paleontologia, ele conseguiu identificar a área.


Conhecimentos de antepassados

Por causa da visão aérea proporcionada pelo Google Earth, cientistas puderam perceber que os britânicos da região de Poppit Sands, no País de Gales, usavam grandes armadilhas de pedra na água para prender os peixes e, assim, pescá-los. A prática inclusive está descrita na Magna Carta.


Um novo ancestral humano

Em 2007, o professor Lee Berger estava usando o Google Earth para procurar cavernas e terrenos desconhecidos em Joanesburgo, na África do Sul, quando percebeu uma série de desníveis em um determinado terreno, o que poderia indicar que havia ossadas enterradas ali. Em 2008, quando ele inspecionava o local pessoamente com o filho dele, eles encontraram dois fósseis, que seriam de uma mulher e de um garoto. Eles teriam de 2 milhões de anos.


Restos de civilizações antigas

O programador Luca Mori passeava pelo Google Earth na cidade de Sorbolo, na Itália, quando descobriu restos de construções de antigas civilizações. Quando ele foi ao local viu que grande parte das construções estava, na verdade, entererrada. Elas eram de uma vila romana de 2 mil anos.


Cratera preservada

Um pesquisador italiano, durante uma pesquisa das imagens do Google Earth, se deparou com algo extraordinário em uma das áreas mais remotas e difíceis de explorar no planeta: o deserto do Saara. O que apareceu em sua tela era algo geralmente visto somente em nossa própria Lua e outros planetas - uma cratera, aberta pelo impacto de um meteorito, com 48 m de diâmetro. Uma vez que o Saara é um lugar tão difícil para a manutenção da vida, como a Lua e outros planetas, a evidência deixada pelo meteorito ficou intocada.






quarta-feira, 13 de julho de 2011

Afinal um meteorito está na origem da extinção dos Dinossauros



A era dos dinossauros terminou com um meteorito há 65 milhões de anos, mas havia dúvidas se os répteis gigantes já não estariam em declínio antes, por falta de fósseis encontrados nos sedimentos daquela altura. Mas a descoberta de um dinossauro da família dos triceratops com cerca de 65 milhões de anos põe de lado esta questão. O artigo que descreve o fóssil foi agora publicado na revista Biology Letters.

Os dinossauros dominaram a Terra durante 165 milhões de anos, no Mesozóico. Depois, no final do Cretácico, um meteorito bateu contra a Terra e extinguiu estes répteis e muitos outros seres-vivos.
Os investigadores são capazes de encontrar nos sedimentos a camada associada à altura da colisão do meteorito por ter características especiais. Mas, nos três metros abaixo desta camada não se tinham encontrado fósseis de dinossauros, esta ausência fez com que vários cientistas pusessem a hipótese de que estes animais já estavam em declínio muito tempo antes da grande colisão.
A descoberta de um fóssil feita agora na formação geológica de Hell Creek, em Montana, nos Estados Unidos, põe fim a esta ausência de fósseis. “O facto de este espécime estar tão perto da fronteira indica que pelo menos alguns dinossauros estavam numa situação boa até ao momento do impacto”, disse em comunicado Tyler Lyson, da Universidade de Yale, que liderou o estudo.
O fóssil é um corno de um indivíduo que faz parte dos ceratopsia, o grupo de dinossauros que inclui os famosos triceratops. O osso fossilizado estava apenas a 15 centímetros da fronteira entre o Cretácico e o Terciário – o período de tempo que veio a seguir à era dos dinossauros, dominado pelos mamíferos – o que significa que viveu entre dezenas de milhares de anos e alguns milhares de anos antes do impacto.
O fóssil está enterrado em rochas sedimentares de uma planície de inundação de um rio que, naquela altura, passaria pela região. Por isso, não há o perigo de ter sido remexido por processos geológicos e ser de uma altura anterior. “Esta descoberta é uma prova que os dinossauros não morreram lentamente antes da colisão do meteorito”, disse Lyson.
Quando os cientistas descobriram o dinossauro, em 2010, pensaram que ele estava mais distante da fronteira associada ao impacto meteorítico. Mas quando mandaram analisar os sedimentos, descobriram que estava muito mais perto da fronteira. A equipa vai agora analisar outros fósseis que parecem também estar juntos daquela camada.
Tyler Lyson suspeita que esta ausência de fósseis nos três metros abaixo da fronteira entre o Cretácico e o Terciário é um erro científico, e que muitos fósseis já encontrados possam estar mais perto desta camada do que se pensava. “Seremos capazes de verificar isso utilizando técnicas de análise de solo mais sofisticadas do que as estimativas de localização da fronteira que são feitas somente com base nas observações de campo, que é o que tem acontecido no passado”, disse o cientista.





Fonte: Publico

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Possível meteorito atinge telhado da casa em Curitiba




Análises laboratoriais poderão dizer se a pedra que atingiu o telhado de uma residência, em Curitiba, é um meteorito. A pedra atingiu a casa do marceneiro Maicon Colussi, que ouviu o barulho durante a noite, mas só encontrou o possível meteorito no dia seguinte.

“Um traço de luz fino passou aqui perto da casa e teve um barulho forte no telhado”, lembra o marceneiro, que assistiu a cena da janela da cozinha. Mesmo antes das análises, Maicon palpitou: “Presumo eu que seja um meteorito”.

Especialistas avaliaram a pedra e confirmaram que a possibilidade existe, mas só poderá ser confirmada por exame. “Um bom teste que poderia ser feito é cortá-lo e passar um ácido específico para ver se forma os desenhos típicos de material meteorítico”, afirmou o professor de astronomia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Dietmar Foryta.

Enquanto o resultado do teste não sai, as especulações ficam por conta dos amigos: “É maravilhoso né, olhar para uma pedra dessa e imaginar de onde que pode ter saído”, afirmou o amigo de Maicon, Leandro Rocha.



Fonte: Paraiba.com.br

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Mistérios vindos do céu





O rastro incandescente de uma bola de fogo no céu e o estrondo que se seguiu à sua passagem veloz tornaram o anoitecer de 19 de junho de 2010 inesquecível para centenas de pessoas na divisa do noroeste do Rio de Janeiro com o sudoeste do Espírito Santo. Na manhã seguinte, na localidade de Santa Rita do Prata, município fluminense de Varre-Sai, o agricultor Germano da Silva Oliveira recolheu em sua lavoura de aipim uma estranha pedra cinzenta, levada posteriormente a uma escola das redondezas. O achado, associado ao fenômeno celeste por uma professora e encaminhado ao Museu Nacional, no Rio de Janeiro, acabou alçado à condição de objeto da ciência. Era o primeiro meteorito encontrado no Brasil logo após a queda nos últimos 19 anos.



O meteorito Varre-Sai, como foi batizado, fez crescer uma coleção que não chega a 60 registros de quedas e achados em território brasileiro documentados pelo Museu Nacional e outras instituições científicas. O maior e mais afamado continua sendo o Bendegó, de 2,2 metros e 5,4 toneladas, encontrado em 1784 por um menino que cuidava do gado em Monte Santo, sertão da Bahia. Passados mais de dois séculos, os registros nacionais dessas pedras que vêm do espaço são mais que modestos em relação à dimensão continental do país. Embora ocupe praticamente a metade da América do Sul, o Brasil catalogou menos quedas e achados do que vizinhos bem menores, como a Argentina e o Chile.



Fragmentos perdidos por corpos extraterrestres ao longo da evolução do Sistema Solar, os meteoritos alcançam idades de até 4,5 bilhões de anos, como é o caso daqueles originados de asteroides. Os que saíram da Lua têm em geral cerca de 3 bilhões de anos, enquanto a grande maioria daqueles desgarrados de Marte, bem mais novos, conta entre 100 milhões e 600 milhões de anos. A meteorítica, disciplina científica devotada ao tema, registra de duas maneiras a presença dessas pedras celestes na Terra – as quedas, quando são testemunhadas e levam ao encontro de fragmentos de matéria extraterrestre; e os achados, feitos sem nenhuma relação imediata com o choque dos meteoritos na superfície do planeta.



Recém-despencados do espaço ou caídos em tempos imemoriais, mais de 30 mil meteoritos já foram recuperados no planeta. A quantidade dos que resistiram à entrada na atmosfera, atingiram o solo e não foram encontrados é, porém, incomensuravelmente maior. “Diariamente, na Terra, 25 milhões de meteoros podem ser visíveis a olho nu. A maior parte é causada por meteoroides muito pequenos, que não sobrevivem ao atrito com o ar. Mas há os maiores, que atravessam a atmosfera e colidem com o solo”, explica o físico e professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Marcelo de Oliveira Souza. Coordenador do Clube de Astronomia Louis Cruls, de Campos dos Goytacazes, ele acompanhou de perto o episódio do Varre-Sai.



A atenção à terminologia científica, observa Marcelo, ajuda a compreender o fenômeno. “Há diferença entre asteroides, meteoroides, que são corpos menores, e meteoros”, assinala. Os primeiros gravitam em torno do Sol, sobretudo entre as órbitas de Marte e Júpiter, no chamado Cinturão de Asteroides. Os meteoroides, de tamanho mais modesto, perambulam perdidos no espaço e, quando penetram em alta velocidade na atmosfera da Terra, produzem os meteoros, também conhecidos como estrelas cadentes, fenômeno luminoso que decorre do calor gerado pelo atrito da matéria com o ar. Os meteoritos são as partes desses corpos que, aquecidos a temperaturas de até 1,5 mil graus Celsius, conseguem sobreviver à prova de fogo.



Para a ciência, os meteoritos dão contribuição de valor inestimável ao estudo do Sistema Solar, ora confirmando, ora refutando teorias, como testemunhos de um passado de bilhões de anos. “Eles têm várias procedências, desde restos da nuvem que formou o Sol e os planetas até a crosta e o interior de asteroides e, possivelmente, de cometas”, ensina a astrônoma Maria Elizabeth Zucolotto, do Setor de Meteorítica do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Sabemos como era o Sistema Solar na época da formação planetária exclusivamente devido a esses ‘fósseis’ que praticamente não tiveram modificações. Outros, que sofreram choques, nos contam a trajetória conturbada de formação e destruição planetária.”



Quando atravessam a atmosfera, meteoritos gigantes abrem crateras ao se espatifar contra o solo, a exemplo do que ocorre em satélites como a Lua e nos outros planetas. Na Terra, são conhecidas mais de 120 crateras de impacto formadas em tempos remotos. Das seis reconhecidas pela ciência no Brasil, a maior é a de Araguainha (MT), com 40 quilômetros de diâmetro, seguida de longe pelas de Vargeão (SC), Riachão (MA), Cerro do Jarau (no município de Quaraí, RS), Vista Alegre (em Coronel Vivida, PR) e Serra da Cangalha (em Campos Lindos, TO). Pelo menos outras duas depressões semelhantes estão na fila do reconhecimento científico: São Miguel do Tapuio, com diâmetro de 20 quilômetros, no Piauí; e Colônia, com 3,6 quilômetros, no sul da cidade de São Paulo, na Área de Proteção Ambiental Municipal Capivari-Monos.



Procuram-se meteoritos



A grande causa da carência de registros de meteoritos em número condizente com o tamanho do Brasil é a desinformação, lamenta Elizabeth Zucolotto, referência nacional em meteorítica. “Isso ocorre principalmente devido à falta de divulgação e de conhecimento entre a população”, observa, agregando outro motivo: a inexistência de compensação financeira. “Outros países têm um comércio que pode ser prejudicial à ciência e, ao mesmo tempo, favorável a ela, feito por pessoas que buscam meteoritos e que só vão ser recompensadas em caso de sucesso”, diz. “Afinal, os cientistas não têm tempo para ficar no campo nem existe lugar certo para as quedas.”



Na tentativa de ampliar a lista de meteoritos no Brasil, o Museu Nacional pôs na rua a campanha Tem um ET no Seu Quintal?, com distribuição de folhetos, cartazes e brindes em 25 mil escolas de norte a sul, participantes da Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA) de 2009, ano internacional dessa ciência, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU). Foi a primeira vez que o programa Meteoritos do Brasil, criado pelo museu em 1999 e coordenado por Elizabeth, recebeu recursos do Ministério da Ciência e Tecnologia, via Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), assim como da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).



A campanha surtiu efeito, fazendo cair sobre o museu uma torrente de comunicações de presumíveis achados país afora – na esmagadora maioria, rochas terrestres dadas como vindas do espaço. “Não só no Brasil, mas em todo o mundo, apenas uma em mil amostras enviadas é, de fato, meteorito”, conta a astrônoma do Museu Nacional. Para orientar o público, ela postou no site do programa (
http://www.meteoritos.com.br/) um passo a passo que permite saber se uma pedra caiu mesmo do céu ou é um simples meteorwrong, que aparenta ser, mas não é um meteorito. A campanha resultou na notificação de cinco novos achados, todos no Rio Grande do Sul. Outros três fragmentos estão em estudos, encontrados em Minas Gerais e no Paraná.



No rol de verificações do programa Meteoritos do Brasil, o primeiro quesito é a cor. Escuros por fora, na chamada crosta de fusão, os meteoritos não têm o interior preto, grafite nem ferrugem, mesmo no caso dos metálicos, que são como o aço inox. Outra peculiaridade: embora não sejam magnéticos, quase todos são atraídos por ímãs. Caracterizados por grande concentração de massa, esses fragmentos de matéria vinda do céu são comumente mais pesados que rochas terrestres com as mesmas dimensões. E, embora possam conter elementos radiativos, como certas rochas da Terra, não apresentam risco de radiatividade para os humanos.



Outro canal de divulgação do programa do Museu Nacional é a telinha da tevê. Em agosto de 2010, depois de ser entrevistada pela apresentadora Ana Maria Braga, na Rede Globo, Elizabeth Zucolotto viu o contador de visitas do site do Meteoritos do Brasil subir a 3 mil acessos num só dia. A entrevista foi reprisada em janeiro e gerou nova onda de interesse. “Recebemos diversos telefonemas, mas é impossível saber por telefone como é uma pedra”, diz. “Algumas pessoas acham que o fato de ter uma delas guardada há muitos anos a transforma num meteorito. Há também a crença de que ‘pedras de raio’ são meteoritos. Na verdade, essas pedras de formato pontudo são artefatos indígenas que não têm a ver nem com os raios.”



Efeito Varre-Sai



O meteorito Varre-Sai tem relação direta com as campanhas do Museu Nacional. Foi graças às informações difundidas na OBA do ano anterior que a professora Filomena Ridolphi, participante do certame, fez contato com a instituição, ao associar a pedra descoberta pelo lavrador de Santa Rita do Prata ao bólido luminoso que havia atravessado os céus fluminense e capixaba. O Brasil não registrava o encontro de um meteorito imediatamente após a queda desde fevereiro de 1991, quando vários pedaços de um meteoroide recém-caídos foram localizados no município cearense de Campos Sales, a 500 quilômetros de Fortaleza.



“Os meteoritos explodem a grande altura da superfície terrestre e caem em queda livre em uns poucos quilômetros em redor, na chamada elipse de dispersão”, explica Elizabeth Zucolotto. “Quem assiste à queda jura que foi logo ali, depois do morro, mas, se for procurar, verá que foi muito longe.” Caso exemplar de localização de meteorito é o Ibitira, logo após sua queda, em 30 de junho de 1957, no município mineiro de Martinho Campos. Fazendo cálculos com base no testemunho visual e sonoro de pessoas de vários locais, cientistas conseguiram mapear o lugar da explosão do meteoroide e, dando busca na região, chegaram a um fragmento de 2,5 quilos, encontrado por um lavrador que apanhava lenha no mato.



O Varre-Sai, com 12 centímetros e 600 gramas, atiçou a curiosidade local e atraiu à região vários caçadores de meteoritos, que procuram e negociam esses achados. “Tivemos o relato da descoberta de mais três meteoritos em Guaçuí, no Espírito Santo. Provavelmente, há muitos outros dessa queda, encontrados ou não”, diz Marcelo, da Uenf. O achado foi batizado assim por praxe da meteorítica, que dá a cada registro o nome do lugar de ocorrência. A existência científica de um meteorito depende da chancela da Sociedade Internacional de Meteorítica e Ciência Planetária, com sede nos Estados Unidos, após análise de pelo menos 20 gramas numa instituição credenciada, como o Museu Nacional.



O episódio do Varre-Sai demonstra como a ajuda da população pode ser útil à ciência. “Até hoje há pessoas que nos trazem rochas para análise. Houve também grande aumento de participação nas atividades do clube de astronomia”, conta Marcelo. Para evitar que novos achados saiam de Varre-Sai, cidadezinha de 8,5 mil habitantes, o prefeito Everardo Ferreira ofereceu bicicletas a estudantes que encontrassem meteoritos e comprou por R$ 15,6 mil a pedra extraterrestre do lavrador Germano, para trancá-la num cofre. Um dos motivos da proteção municipal foi a detenção, dias depois da queda, de um colecionador espanhol que embarcava no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, com três fragmentos do Varre-Sai na mala.



Caçadores em ação



Um dos caçadores de meteoritos que se dirigiram ao município fluminense foi André Moutinho, engenheiro de software de São José dos Campos (SP), que exerce por hobby a atividade. Numa das duas vezes em que esteve em Varre-Sai, ele se lançou às buscas em parceria com o estadunidense McCartney Taylor, um dos vários caçadores estrangeiros que voaram ao Brasil quando souberam da queda. Aficionados como André, que mantém uma caprichada página na internet (
http://www.meteorito.com.br/), vão a campo quando podem e têm dinheiro para as despesas, enquanto os profissionais, raros no Brasil, fazem da atividade seu trabalho. “Esses caçadores têm vida nada monótona, viajando pelo globo em busca de aventura e até sofrendo risco de prisão ou de vida”, comenta ele.



No encalço de meteoritos, munido de mapas, aparelho GPS e detector de metais, o caçador vive atento a notícias de quedas e achados, estudando previamente as características geográficas, climáticas e políticas da região que pretende esquadrinhar. “Muitos meteoritos raros, como os lunares e marcianos, foram achados por esses profissionais. Nos desertos, onde a maioria dos meteoritos é encontrada, a busca é financiada por esse comércio e executada por nômades”, salienta André Moutinho. A maior parte dos caçadores coopera com os cientistas, pois tem interesse em que seus fragmentos sejam reconhecidos. O colecionismo de meteoritos também é um grande incentivador do interesse dos jovens pela exploração espacial e pela ciência.



O mercado de meteoritos cota valores a peso, numa escala com variáveis que dependem do grau de raridade. No comércio das pedras extraterrestres mais comuns, o grama tem valor módico, girando em torno de US$ 1 e podendo cair a frações de dólar no caso de certos fragmentos. Em compensação, meteoritos lunares e marcianos, raríssimos, são mais caros que o ouro, avaliados em pelo menos US$ 1.000 o grama. “No caso de meteoritos muito caros, é comum serem cortados em fatias e negociados em pequenas quantidades. Os lunares e marcianos, por exemplo, são vendidos em miligramas”, conta André Moutinho.



Orgulho nacional



Quedas e achados em todo o planeta resultaram em registros científicos de mais de 50 tipos diferentes de meteoritos, agrupados em três grandes classificações: aerólitos, de matéria rochosa, como o Varre-Sai, classificado como condrito; sideritos, metálicos; e siderólitos, metálico-rochosos. Alguns achados brasileiros são objeto de atenção especial dos cientistas, como o meteorito Angra dos Reis, que, primeiro do gênero no mundo, encontrado em 1969 nesse município fluminense, deu à nova categoria o nome de angrito. Outras preciosidades nacionais são o Santa Catarina, do tipo ataxito, com inigualável concentração de níquel, achado no estado de mesmo nome em 1875, e o Governador Valadares, marciano com características raras, descoberto no município mineiro em 1958.



O orgulho nacional é, entretanto, o Bendegó, um siderito, estrela do Museu Nacional. O meteorito chegou ao Rio de Janeiro em novembro de 1888, ao fim de uma das maiores sagas logísticas da história brasileira. Após 102 anos na beira do rio Bendegó, onde caíra durante a primeira tentativa de transporte, em 1785, ele atraiu cientistas estrangeiros e brasileiros ao sertão baiano e teve pedaços estudados na Europa, até que dom Pedro II determinou sua remoção para a capital do império. Na viagem, que durou um ano, despencou várias vezes de uma carreta especial e passou por caminhos abertos especialmente para ele. De Salvador, foi embarcado em navio rumo ao Rio.



O Bendegó, a exemplo de outros meteoritos, foi pivô de superstições e crendices. Quando o maior meteorito brasileiro foi levado do sertão, o nordeste passava por uma das maiores secas da história, associada pela população, revoltada, ao transporte da pedra extraterrestre para o Rio de Janeiro. Em 1937, na cidade gaúcha de Putinga, a queda de meteoritos durante a procissão de São Roque, padroeiro do local, foi associada à providência divina. Dezenove anos depois, o achado do Paranaíba, no atual Mato Grosso do Sul, levou devotos a erguer uma cruz no local e começar a fazer romarias quando não chovia, voltando para casa, segundo a lenda, encharcados de chuva.



Quando foi descoberto, milhares de anos depois da queda, o Bendegó era o segundo maior meteorito conhecido no mundo. Passados mais de dois séculos, os localizados em várias partes do planeta o deixaram atrás dos 15 primeiros em peso e tamanho. O maior meteorito achado na Terra é o Hoba, encontrado em 1920, que pesa 66 toneladas e é atração turística na Namíbia. Depois dele estão o argentino Campo del Cielo (Chaco), com 37,2 toneladas, cuja descoberta é de 1969; o groenlandês Cape York (Ahnighito), com 34 toneladas, de 1894; o chinês Gobi, com 33 toneladas, de 1965; e o mexicano Bacubirito, com 22 toneladas, de 1863.



Atrás do Bendegó, um dos maiores meteoritos brasileiros é o Campinorte, siderito de 2,5 toneladas achado em 1996 numa propriedade rural do município goiano. Os donos da fazenda mantêm a pedra enterrada desde que sua procedência extraterrestre foi atestada pelo Museu Nacional, na expectativa de vendê-la a colecionadores. O meteorito está no centro de uma disputa entre a pessoa que o achou e os fazendeiros. “A lei brasileira precisa estabelecer a quem pertence um meteorito – ao dono da terra ou a quem o encontrou?”, diz a astrônoma Elizabeth Zucolotto. E, mais importante, a legislação também deveria, ela propõe, garantir às instituições nacionais de pesquisa a preferência de aquisição de parte de cada meteorito achado em território brasileiro.





Fonte: sescsp

sábado, 14 de maio de 2011

Os meteoros não mataram os dinossauros



Ted Nield, ex-presidente da Associação dos Escritores Britânicos de Ciência, enfrenta uma batalha inglória: acabar com a má fama dos meteoros. Em seu livro recém-lançado, Incoming! or, Why We Should Stop Worrying and Learn to Love the Meteorite (A chegada! ou, Por que Nós Devemos Parar de Temer e Aprender a Amar os Meteoritos, inédito em português), o geólogo britânico defende esses corpos celestes — fragmentos de asteroides, cometas ou de planetas desintegrados — e diz que eles estão longe de nos causar algum mal. Em entrevista à GALILEU, ele explicou por que os meteoros são tão importantes para a ciência. E, ao mesmo tempo, nos causam tanto medo e fascínio.




* Por que não devemos ter medo dos meteoros?


Eles não trazem desastres e mortes? Nield: Essa é uma impressão que carregamos desde 1980, quando foi descoberto que os dinossauros — e todas as outras espécies que sumiram na grande extinção que ocorreu há 65 milhões de anos — foram aniquilados, em parte, por um grande choque de meteoro. Acredito que essa foi apenas uma entre muitas causas. Assim como tivemos cinco grandes extinções nos últimos 600 milhões de anos e somente uma foi ligada à queda de meteoro. Além disso, novas evidências mostram que há 470 milhões de anos aconteceu um bombardeamento massivo da Terra por meteoros que parece ter tido o efeito oposto e aumentado a biodiversidade do planeta. A teoria é que os meteoros esterilizaram uma área de centenas de quilômetros, onde teriam surgido novas espécies.


* Afinal, eles causaram a extinção dos dinossauros?


Nield: Não há dúvida de que um grande meteoro atingiu o planeta há 65 milhões de anos e ajudou os dinossauros a sumirem da face da Terra. Mas, quando os meteoros caíram, a vida desses animais já estava ameaçada, provavelmente pelos gases emitidos por grandes erupções vulcânicas na Índia. Hoje em dia, a chegada de um meteoro de dez quilômetros de diâmetro poderia não ser tão mortal, pois as condições da Terra são diferentes e não temos vulcões em erupção. A chance de morrermos devido a meteoros atualmente é 1 em 720 mil. O projeto Spaceguard, da Nasa, tem mapeado as órbitas de objetos próximos a Terra nos últimos 20 anos. Já identificou 75% delas e não descobriu nenhum meteoro capaz de nos atingir num futuro próximo.


* Quantas mortes já ocorreram pela queda desses corpos celestes?


Nield: Não há registro de mortes humanas causadas pelo choque de meteoritos (nome dado ao meteoro que atinge a Terra). Até a famosa história do cão que teria morrido quando um meteorito caiu na cidade de Nakhla, no Egito, em 1911, provavelmente é uma farsa para chamar a atenção sobre a cidade.


* Como a imagem deles mudou durante a história?


Nield: Na era pré-científica, antes da Renascença, as pessoas pensavam nos meteoros como presságios. Se eram bons ou ruins, dependia da posição social. Reis os encaravam como sinais de vitórias futuras. De vez em quando acertavam. Camponeses os viam como mau agouro, e, por razões misteriosas, nunca se enganavam.


* Qual seria a importância dos meteoros para a ciência?


Nield: Eles são os objetos mais antigos que alguém pode segurar. Os planetas se formaram a partir da nebulosa solar. Os meteoros são a parte dessa matéria primordial que nunca foi transformada em planeta.


* Você acredita na hipótese de que a vida tenha sido trazida por um meteoro e não surgida na Terra?


Nield: Os meteoritos contêm elementos químicos orgânicos — substâncias normalmente associadas à vida, mas que também se formam de modo inorgânico no espaço. Moléculas como aminoácidos, os “tijolos” das proteínas, são regularmente encontradas em alguns meteoros. A ideia de que a Terra teria sido semeada por essas moléculas, dando início à vida, não é cientificamente absurda. Só não foi comprovada.


* Isso tudo significa que deveríamos amar os meteoros?


Nield: O importante é que não deveríamos demonizá-los. Eles são um fenômeno natural, que pode ser tanto bom quanto ruim. Não deveríamos temê-los. Devemos entendê-los, e, se necessário, lidar com eles.




Fonte: RevistaGalileu